Transforme o modo de pensar sobre si mesmo e sobre o propósito de sua vida
O mundo está a mudar de forma rápida. Os desafios e a complexidade com que nos deparamos em nossos relacionamentos, famílias e empresas são inteiramente novos.
Ser eficaz, como pessoa e como organização, deixou de ser apenas uma opção - é uma exigência para a sobrevivência hoje. Mas para prosperar, inovar, ser excelente e liderar, precisamos ir além da eficácia. O que esta nova era pede é grandeza, realização, execução apaixonada e contribuição significativa.
Atingir os níveis mais altos do génio e da motivação humana na nova realidade exige uma nova mentalidade e um novo conjunto de qualificações e ferramentas - em síntese, todo um novo hábito.
A mudança fundamental neste novo mundo é esta: encontrar nossa voz interior e inspirar os outros a encontrar a deles. É o que Covey chama de 8º Hábito.
A dor
Ouça as vozes:
"Estou aprisionado na rotina."
"Ninguém me dá valor. Meu chefe nem tem ideia da minha capacidade."
"Tudo é urgente. Estou stressado."
"Estou frustrado e desanimado."
"Não posso mudar as coisas."
Há muita gente frustrada, desanimada, menosprezada e pouco valorizada com pouco ou nenhum sentido de voz ou contribuição. Obviamente, algumas pessoas estão empenhadas, participando e energizando seu trabalho... mas são muito poucas. Apesar de todos os avanços tecnológicos, da inovação nos produtos e nos mercados mundiais, a maioria das pessoas não está progredindo onde trabalha. Elas não se sentem nem realizadas nem empolgadas. Elas "atolam-se" e distraem-se. Dá para imaginar os custos pessoais e organizacionais da incapacidade de empenhar plenamente a paixão, o talento e a inteligência da força de trabalho?
O problema
Há uma razão simples e abrangente pela qual tantas pessoas permanecem insatisfeitas com seu trabalho e as empresas deixam de tirar partido do talento de seu pessoal. É a falta de um paradigma completo de quem somos - nossa visão fundamental da natureza humana. A realidade fundamental é que os seres humanos não são coisas que precisam ser motivadas e controladas, mas são seres com quatro dimensões - corpo, mente, coração e espírito. Elas também representam as quatro necessidades e motivações básicas de todas as pessoas: viver (sobrevivência), amar (relacionamentos), aprender (crescimento e desenvolvimento) e deixar um legado (significado e contribuição).
O essencial é que, quando se negligencia qualquer das quatro partes da natureza humana, se transforma a pessoa em uma coisa. E o que fazemos com as coisas? Temos que controlá-las, gerenciá-las e recorrer à cenoura e ao chicote para motivá-las. Pode-se ver como os problemas centrais do trabalho e as soluções para eles estão em nosso paradigma da natureza humana? Quantas das soluções para os problemas que enfrentamos no lar e na comunidade repousam no mesmo paradigma?
A solução
Todos escolhemos uma de duas estradas na vida - os velhos e os jovens, os ricos e os pobres, os homens e as mulheres. Uma é larga, bem percorrida, a estrada para a mediocridade; a outra é a estrada para a grandeza e o significado. O leque de possibilidades existentes dentro de cada um desses dois destinos é tão amplo quanto a diversidade de dons e de personalidade encontrada na família humana. Mas os dois destinos contrastam como o dia da noite.
O caminho para a mediocridade inibe o potencial humano. A trajectória para a mediocridade é um remendo, um atalho para a vida. O caminho da grandeza é um processo de crescimento seqüencial de dentro para fora. Os que viajam pela estrada para a mediocridade vivenciam o software cultural do ego, da complacência, da mesquinharia, competição e vitimização. Os viajantes que escolhem o caminho superior para a grandeza elevam-se acima das influências culturais negativas e optam por se tornar a força criativa de suas vidas.
Uma palavra exprime a trajetória para a grandeza: voz. Os que seguem este caminho encontram a própria voz e inspiram outros a achar a deles. O resto não consegue nunca.
Veja, a seguir, as maneiras que Stephen Covey aconselha você a encontrar sua voz interior:
Descubra a sua voz interior entendendo sua verdadeira natureza e use com integridade a inteligência ligada a cada uma das quatro partes de nossa natureza.
Primeiro dom que recebemos ao nascer: a liberdade de escolha
Quase tanto como a vida, a capacidade de escolha é nosso maior dom. Somos um produto da escolha, não da natureza (genes) ou da criação (educação, ambiente). Certamente os genes e a cultura exercem uma influência poderosa, mas não são determinantes.
A consciência de nossa liberdade e capacidade de escolha é afirmativa porque pode estimular nosso senso de possibilidade e de potencial. Pode também ser ameaçadora, até aterrorizante, porque de repente nos tornamos responsáveis. Se no decorrer dos anos nos abrigamos na explicação de nossa situação e de nossos problemas em nome das circunstâncias passadas ou presentes, é realmente assustador pensar de outro modo. De repente, não há mais desculpas.
Segundo dom: as leis naturais ou princípios
Todas as acções acarretam conseqüências. Não podemos ignorar as leis naturais e não temos escolha senão operar de acordo com elas. Se pularmos de um prédio de dez andares, não adianta mudar de idéia no quinto andar. A gravitação controla a queda. Isso é autoridade natural.
O que é autoridade moral? É o uso de nossa liberdade e capacidade de escolha embasado em princípios. Em outras palavras, se seguirmos princípios em nossas relações com outras pessoas, estamos tirando partido da autorização da natureza. As leis naturais (como a da gravitação) e os princípios (como o respeito, honestidade, bondade, integridade, doação e justiça) controlam as conseqüências de nossas escolhas. Os valores são normas sociais - são pessoais, emocionais, subjetivos e refutáveis. As conseqüências são regidas por princípios e o comportamento por valores, portanto, valorizemos os princípios!
Terceiro dom: as quatro inteligências/capacidades de nossa natureza
Como mencionado anteriormente, as quatro magníficas partes de nossa natureza são corpo, mente, coração e espírito. A cada uma dessas partes corresponde uma capacidade, ou inteligência, que todos possuímos; nossa inteligência física ou corporal (QF), nossa inteligência mental (QI), nossa inteligência emocional (QE) e nossa inteligência espiritual (QS). Essas quatro inteligências são o terceiro dom de nascença.
Exercício:
Covey verificou que quatro simples pressuposições podem tornar nossa vida mais integrada, equilibrada, poderosa. São simples - cada uma para cada parte de nossa natureza - mas, se aplicadas coerentemente, podem se tornar uma nova fonte de força e integridade à qual recorrer quando for mais necessário.
1. Para o corpo - imagine que sofreu um enfarte; agora viva de acordo com isso.
2. Para a mente - imagine que a meta de sua vida profissional é de dois anos; agora prepare-se como decorrência disso.
3. Para o coração - imagine que outra pessoa pode ouvir tudo o que você fala dela; agora fale de acordo com isso.
4. Para o espírito - imagine que você tem um encontro pessoal com seu Criador a cada trimestre; agora viva de acordo com isso.
Expresse sua voz interior cultivando as mais altas manifestações dessas inteligências humanas - visão, disciplina, paixão e consciência.
Quando estudamos a vida de todos os grandes realizadores - os que tiveram a maior influência sobre outras pessoas e fizeram as coisas acontecerem - , encontramos um padrão. Com esforço persistente e luta interior, ampliaram suas quatro inteligências ou capacidades humanas inatas. As manifestações mais elevadas dessas quatro inteligências são: visão para a mental; disciplina, para a física; paixão para a emocional; e consciência, para a espiritual. Essas manifestações também representam nossos mais elevados meios de expressar a própria voz.
Se aplicar estes 4 elementos - talento (disciplina), necessidade (visão), paixão e consciência - a qualquer papel de sua vida, ele encontrará sua voz nesse papel.
Exercício
Um desafio: escolha dois ou três dos principais papéis de sua vida e, para cada um deles, faça-se as seguintes perguntas:
1. Que necessidade sinto (em minha família, comunidade, organização em que trabalho)?
2. Tenho algum talento verdadeiro que, se disciplinado e aplicado, pode atender à necessidade?
3. A oportunidade de atender à necessidade desperta minha paixão?
4. Minha consciência me leva a agir e me envolver?
Se responder sim a estas 4 perguntas, e tornar o desenvolvimento de um plano de ação e sua aplicação um hábito, começará a encontrar sua verdadeira voz na vida - uma vida de profundo significado, satisfação e grandeza.
Sobre o autor:
STEPHEN R. COVEY é uma autoridade em liderança, especialista em família, professor, autor e consultor organizacional respeitado internacionalmente.